7 de fev de 2008

E em labirintos se movem os fantasmas que persigo.

Se não houvessem montanhas!

Se não houvesse montanhas!
Se não houvesse paredes!
Se o sonho tecesse malhas
e os braços colhessem redes!

Se a noite e o dia passassem
como nuvens, sem cadeias,
e os instantes da memória
fossem vento nas areias!

Se não houvesse saudade,
solidão nem despedida...
Se a vida inteira não fosse, além
de breve, perdida!
Eu não tinha cavalo de asas,
que morreu sem ter pascigo
E em labirintos se movem
Os fantasmas que persigo.

Cecilia Meireles.

5 comentários:

Anderson Lucarezi disse...

Os poemas da Cecília têm um embalo muito singular. Discordo - e muito - quando o Pietroforte diz que tais poemas poderiam muito bem ser musicados para que a Sandy cantasse...

"Instante" é talvez o poema mais pop e mas lindo de cecília. Ela trabalha com uma sutileza, há versos que parecem toque de fada. Bom, afora a viadagem, sou fã dela, mesmo!

saudações,

Luca.

Anderson Lucarezi disse...

ops, não é "Instante", mas "Motivo".

Anônimo disse...

Le poeme est très beau... mas ainda prefiro os seus...

Beijos

Fernando Penteado disse...

=)

Glauber disse...

Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Ninguém podia entrar nela não, porque a casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede, porque a casa não tinha parede. Ninguém podia fazer pipi, porque penico não tinha ali. Mas era feita com muito esmero na rua Feliz, número zero...