25 de nov de 2007

Será que eu tenho transtorno bipolar?

Uma criança me perguntou, dia desses...

Por que passar 10 horas do dia trabalhando, morrer aos pouquinhos dentro do próprio túmulo, se tornar estressado, pálido pela luz fluorescente? Por que ainda depois disso a gente tem que ir pra faculdade, passar mais de duas horas no transporte ruim, chegar atrasado e ainda receber olhares de repreensão, ficar lá para uma aula vazia durante duas horas e meia e levar mais uma e meia para voltar? E ainda chegar em casa, ter 5 horas para dormir e acordar na hora pra chegar na hora. Por que temos que chegar na hora? Que diferença faz? Por que eu não posso perguntar isso? E não posso falar? E não devo falar? E por que quando falo ainda falam que é demais? Eu tenho tanto, ainda aqui dentro, pra dizer...
Por que não posso parecer cansado quando estou cansado, por que tenho que sorrir quando estou triste, por que tenho que fingir que não me importo com o que me importo? Por que tenho que concordar? Por que não posso chorar? Por que as pessoas gritam? Por que me sinto diferente? Por que eu devo ser um pierrot? Para que a diversão? Padrão? Incompreensão? Por que complicar? Acusação? Repreensão? Cobrança? Por que tudo é um problema, tudo se torna um problema, é feito problema?
Que diferença fazem 10 minutos? Ou mais? Para quê tanto esforço?

É difícil acostumar a viver no vazio.

Se aconteceu algo? Não, nada de diferente. Se há algum problema? Sim, muitos. Como sempre houveram. E a gente vai matando (os problemas ou a si mesmo), diariamente, até quando der. Quando não der mais...

24 de nov de 2007

Anônimo disse...

"Punir a todos, com toda a força possível."

21 de Fevereiro de 2007 20:12


Eu não me lembrava mais disso. Estive relendo meu blog do fim pro começo hoje. Vendo textos temas e imagens recorrentes. Desse comentário eu não lembrava. Ah, é legal ser ameaçado de vez em quando... principalmente quando é um anônimo... Mas já faz tempo. Ele já deve ter nos punido sem sabermos... E deve estar punindo outros agora... É. Deve ter me punido.

(esse post deveria se chamar: "hãn?")

Pela Opacidade

(O texto abaixo foi base para o encontro de hoje no curso Crítica Contemporânea Francesa. Para conhecer mais do autor, segue linque de texto sobre Glissant, de Claudia Amigo Pino.

O curso tem sido brilhante, e inclusive são muito estimulantes a qualidade das discussões e a maneira como tem sido levado. O texto abaixo, como diria o Rapha,
não trata somente de Crítica Literária ou Poética, de Relações Humanas ou reflexo das repressões sofridas. É um texto que abre a mente e nos leva a novos pensamentos. ...E isso não seria uma premissa no que estudamos nós, pretensos-ditos estudantes do pensamento crítico-literário?) É algo que não se pode deixar de ler.



- PELA OPACIDADE -

Quando eu apresentava a questão: "nós reivindicamos o direito à opacidade", ou argumentava a seu favor, ainda há alguns anos, meus interlocutores protestavam: "Que retrocesso bárbaro! Como se comunicar com que não se compreende?". Mas a mesma reivindicação, formulada em 1989 diante de públicos muito diversos, suscitou um interesse novo. Esgotou-se, por ora, a atualidade da questão das diferenças (do direito à diferença).

A teoria da diferença é preciosa. Ela permitiu lutar contra as reduções provocadas, em genética, por exemplo, pela presunção de excelência ou de superioridade de raça. O Sr. Albert Jacquard (Éloge de la différence, Éditions du Seuil, 1978), desmontou os mecanismos desta barbárie e mostrou o quanto sua pretensão a um fundamento "científico" foi irrisória. (Chamo de barbárie o retorno e a exasperação de si, tão inconcebíveis quanto suas conseqüências de crueldade.) Ela também permitiu reconhecer, se não a existência, ao menos o direito das minorias que se dispersam na totalidade do mundo, além de defender seu status. (Chamo de "direito" o escape longe das legitimações, ancoradas, implícita ou resolutamente, na posse e na conquista).

Mas a própria diferença pode ainda revelar uma redução ao Transparente.

Se nós examinarmos o processo da "compreensão" dos seres e das idéias na perspectiva do pensamento ocidental, reencontraremos no seu princípio a exigência desta transparência. Para poder "compreender-te" e, então, aceitar-te, preciso levar tua densidade à escala ideal que me fornece elementos para comparações e talvez para julgamentos. Eu preciso reduzir.

Aceitar as diferenças é certamente perturbar a hierarquia da escala. "Compreendo" tua diferença, quer dizer, eu a coloco em relação sem hierarquizar com minha norma. Admito tua existência em meu sistema. Eu te crio novamente. - Mas talvez seja preciso acabar com a própria idéia de escala. Comutar qualquer redução.

Não apenas consentir no direito à diferença, mas, antes disso, no direito à opacidade, que não é o fechamento em uma autarquia impenetrável, mas a subsistência em uma singularidade não redutível. Opacidades podem coexistir, confluir, tramando os tecidos cuja verdadeira compreensão levaria à textura certa da trama e não à natureza dos componentes. Renunciar, por um tempo talvez, a essa velha assombração de surpreender o fundo das naturezas. Seria grandiosa e generosa a iniciativa de inaugurar tal movimento, cuja referência não seria a a Humanidade mas a diferença resultante das humanidades. Caduca, assim, a dualidade de pensar em si mesmo e pensar o outro. Qualquer Outro é um cidadão e não mais um bárbaro. O que está aqui está aberto, tanto quanto o de lá. Eu não saberia projetar de um a outro. O aqui-l[a e a trama que não trama fronteiras. O direito à opacidade não estabeleceria o autismo, ele fundamentaria realmente a Relação, em liberdades.

Dizem-me então: "o senhor que amontoa tão tranqüilo suas poéticas nas crateras da opacidade, o senhor que afirma ultrapassar tão serenamente o prodigioso trabalho de elucidação executado pelo Ocidente, na verdade fala sobre o Ocidente em todo canto do seu pequeno território". - "E do que o senhor quer que eu fale, para começar, senão dessa transparência que pretendeu nos reduzir?Pois se não avanço por aí o senhor logo me verá reduzido a uma criança birrenta, convulsiva e impotente. Eu começo por aí. Ao que concerne a minha identidade, me arranjarei por conta própria". É preciso dialogar com o Ocidente, que é em si mesmo todo contraditório (é o argumento com o qual freqüentemente me confronto quando falo das culturas do Uno), e a ele atribuir o discurso complementar de quem quer dar com. E vocês não vêem que nós estamos implicados em seu devir?

Apenas considerem a hipótese de uma Europa cristã, segura de seu Direito, reunida em sua universalidade recomposta, tendo então novamente convertido suas forças em um valor "universal" - compondo um triângulo com a potência tecnológica dos Estados Unidos e a soberania financeira do Japão -, e terão uma idéia do silêncio e da indiferença que cercariam de vácuo, pelos cinqüenta anos seguintes (se podemos assim quantificar), os problemas, as dependências e os sofrimentos caóticos dos países do Sul.

Considerem igualmente que do próprio Ocidente são oriundas variantes que, cada uma a seu tempo, contradisseram seu impressionante itinerário. É nisto que ele não é monolítico, e por isto é preciso certamente que ele se misture. Toda esta questão consiste em saber se isto se dará ao modo das participações ou ao modo das antigas imposições. E mesmo assim, não nos iludiríamos sobre as realidades; apenas colocar a questão já é começar a mudar seus dados.

O opaco não é o obscuro, mas pode sê-lo e ser aceito como tão. Ele é o não-redutível, que é a mais vivaz das garantias de participação e confluência
. Nos vemos então longe das opacidades do Mito ou do Trágico, cujo obscuro carregada exclusão e cuja transparência apresentava uma tendência a "compreender". Há neste verbo compreender o movimento das mãos que tomam o entorno e o trazem a si. Gesto de fechamento, quiçá de apropriação. Prefiramos a ele o gesto do dar-com [donner-avec], que cria uma abertura na totalidade.


É preciso neste ponto que eu me explique sobre esta totalidade tanto por mim alardeada. É a própria idéia de totalidade, tal como o pensamento ocidental soberbamente exprimiu, que se encontra ameaçada de imobilidade. Propusemos que a Relação é totalidade aberta em movimento sobre ela mesma. Isto significa dizer que o que subtraímos desta idéia, tal como ela assim se forjou, é o princípio de unidade. O todo não é, neste caso, a finalidade das partes: pois a multiplicidade na totalidade é totalmente uma diversidade. Digamos novamente, de modo opaco: a própria idéia de totalidade é um obstáculo à totalidade.
Já declaramos a força poética da qual pensamos que ela se origina no lugar do conceito assimilador de unidade: é a opacidade do diverso que anima a transparência imaginada da Relação. O imaginário não conduz as exigências restritivas da idéia. Ele prefigura o real sem determiná-lo a priori.

O pensamento da opacidade distrai-me das verdades absolutas, das quais eu acreditaria ser o depositário. Longe de recuar-me no inútil e no inativo, ele relativiza em mim os possíveis de toda ação, sensibilizando-me aos limites de qualquer método. Trata-se de desdobrar o leque das idéias gerais? Trata-se de manter-se tenaz mente no concreto, na lei do fato, na precisão do detalhe? Trata-se de sacrificar o que parece menos importante em nome da eficácia? O pensamento da opacidade me resguarda das vias unívocas e das escolhas irreversíveis.

Ao que concerne a minha identidade, me arranjarei por conta própria. Quero dizer que não a aprisionarei em nenhuma essência, igualmente atento para não confundí-la em nenhuma amálgama. Mas aceito que ela me seja por vezes obscura sem mal-estar, surpreendente sem desapropriação. Os comportamentos humanos têm natureza fraca; tomar consciência deles, renunciar a trazê-los à evidência de uma transparência significa talvez contribuir para atenuar o peso que exercem sobre todo indivíduo quando este começa a não "com-preender" suas pró´rias motivações, a se desmembrar desta maneira. A regra da ação (o que chamamos ética, ou o ideal, ou simplesmente a relação lógica) ganharia, em evidência real - em não ser confundida na transparência preconcebida de modelos universais. A regra de toda ação, individual ou comunitária, ganharia em perfazer-se na vivência da Relação. É a trama que dita a ética. Toda moral é utopia. Mas esta moral não o seria senão no caso em que a própria Relação teria afundado numa absoluta desmesura do Caos. A aposta é que o Caos é ordem e desordem, desmesura sem absoluto, destino e devir.


Posso então conceber a opacidade do outro para mim, sem que eu cobre minha opacidade a ele. Não necessito "compreendê-lo" para sentir-me solidário a ele, para construir com ele, para amar o que ele faz. Não necessito tentar tornar-me o outro (tornar-me outro) nem fazê-lo à minha imagem. Esses projetos de transmutação - sem metempsicose - são resultados das piores pretensões e das mais altas generosidades do Ocidente. Eles designam o destino de Victor Segalen.

A morte de Victor Segalen não é senão uma resultante fisiológica. Lembramo-nos da confidência que fez, nos últimos dias de sua existência, sobre o abandono de seu corpo, do qual ele não podia nem diagnosticar a doença nem controlar o perecimento. Saberemos sem dúvida, com a ajuda do progresso da medicina e os sintomas reunidos, o que o matou. E sem dúvida pôde-se dizer em seu meio que ele faleceu de uma espécie de falência generalizada. Mas acredito pessoalmente que ele pereceu da opacidade do Outro, da impossibilidade em que se encontrou de perfazer a transmutação que sonhava.

Marcado, como todo europeu de seu tempo, por uma dose considerável, mesmo se inconsciente, de etnocentrismo - mas possuído, mais do que qualquer de seus contemporâneos, dessa generosidade absoluta e completa que o impulsionava a realizar-se em outro contexto -, sofreu a contradição maldita. Sem poder saber que a transferência em transparência ia de encontro ao seu projeto, e que, ao contrário, o respeito às opacidades mútuas o teria cumprido, ele heroicamente consumiu-se no impossível de ser Outro. A morte é a resultante das opacidades, e por isso sua idéia não nos deixa.


Por outro lado, a opacidade funda um Direito: isto seria o sinal de que ela entrou na dimensão política. Temerária perspectiva, menos perigosa talvez do que as errâncias a que conduziram tantas certezas e verdades claras, ditas lúcidas. Estas seguranças políticas seriam felizmente contidas em seus transbordamentos pelo sentimento, não da inutilidade de tudo, mas dos limites da verdade absoluta. Como desenhar estes limites sem resvalar no ceticismo ou cair na paralisia? Como conciliar a radicalidade inerente a toda política e o questionamento necessário a toda relação? Somente concebendo que é impossível reduzir qualquer um que seja a uma verdade que não tenha sido gerada pelo próprio indivíduo. Isto é, na opacidade de seu tempo e de seu lugar. A Cidade de Platão é para Platão, a visão de Hegel para Hegel, a cidade do griot para o griot. Não é proibido vê-los em confluência, sem confundi-los em magma ou reduzi-los um ao outro. Igualmente esta mesma opacidade anima toda comunidade: o que nunca nos uniria, nos singularizando para sempre. O consentimento geral às opacidades particulares é o mais simples equivalente da não-barbárie.

Reinvindicamos para todos o direito à opacidade.


De Édouard Glissant, in Poètique de la Relation
Tradução: Henrique de Toledo Groke e Keila Prado Costa
Revisão: Claudia Consuelo Amigo Pino

23 de nov de 2007

Quintana




"A amizade é um amor que nunca morre."



Quintana, para Raphaël, Carlotas, Felipe, Vanessa, Denise... Ju, Cris, Andressa, Paula.
Tosta, Diego, Babi, My, K., Tha... e todos os meus queridos.




.

20 de nov de 2007

A frase do seu dia na minha agenda: 29/04



Indecisão é quando você
sabe muito bem o que quer
Mas acha que devia
querer outra coisa.

Adriana Falcão.


...é

19 de nov de 2007

Panorâmica


Eu
acreditava
Em
tantas coisas.











Ah,
Vida.





Hoje olho.

Atrás de mim, um poste. Placa azul. Fios para todos os lados. Acima, fios cortam o Azul. Tento dialogar, mas esses fios impedem meus pensamentos de ultrapassar os 9 metros. Desisto. Não serei ouvido. Baixo os olhos. À minha frente, alguns metros após: outro poste. Inclinado. Mais fios, mais ramificações... Evolução. Abaixo, chão quebrado. Calçada Copacabana. No horizonte um ônibus: azul. E eu pensando em como me comunicar, falar, daqui de dentro.

(...)

18 de nov de 2007

Como Grãos.

(Destino)
Panela - Pow!
Caramelo
Uniões.

(Acaso)
Pacote - Mãos
Dentes
Os desprendem.




.
Sobre o título, poderia ser:

Eu me lembro / Pipocas / O dia em que a terra parou (no mundo das pipocas doces) / Ah...! / Destino / Acaso / Duas faces / A Parábola das Pipocas / Uma mente brilhante / Cirurgia / Continho Interiorano / Doce (des)união / ...

15 de nov de 2007

Defectivos

A Viaro e Bandeira
Amanheço.
Escorro ao banheiro.
Águo, Chuveiro-me, Entoalho.
Roupo, aromatizo, desjanelo-me:
Ensoleio.

Enevôo, quando crepusculo
Pasço, compito no pasto
(gramática antiga)

Abolo, aturdindo a Norma, as defecções.
Indefeituoso, hauro as excessões.
Carpo a puída poesia onde tine
a excogitada ruína vernácula.

Demolo o padrão,
exauro os tipos.
Delinqüo as regras
do que não adequa,
E com urgor,
explodo os sapos,
que batateam:

- Não fremo, gemo!
- Não tine, soa!
- Não defecto! Indefecto!

Esse poema pode se mutar trought-the-time, com alteração de verbos e conjugações. Idéia surgida em aula de Morfologia

Uma música para se ouvir olhando a chuva...

ou para se ler ouvindo a chuva... Ou para pensar na chuva... Ou em como as coisas podem e poderiam, sempre, ser e ter sido diferentes...

Couldn’t save you from the start
Love you so it hurts my soul
Can you forgive me for trying again?
Your silence makes me hold my breath
Time has passed you by...

Oh, for so long I’ve tried to shield you from the world!
Oh, you couldn’t face the freedom on your own
Here I am, left, in silence.

You gave up the fight,
You left me behind,
All that’s done’s forgiven
You’ll always be mine
I know deep inside
All that’s done’s forgiven

I watched the clouds drifting away,
Still the sun can’t warm my face...
I know it was destined to go wrong,
You were looking for the great escape,
To chase your demons away.

Oh, for so long I’ve tried to shield you from the world!
Oh, you couldn’t face the freedom on your own
And here I am, left in, silence.

You gave up the fight
You left me behind
All that’s done’s forgiven
You’ll always be mine
I know deep inside
All that’s done’s forgiven

I’ve been so lost since you’ve gone
Why not me before you?
Why did fate deceive me?
Everything turned out so wrong
Why did you leave me in silence?

You gave up the fight
You left me behind
All that’s done’s forgiven
You’ll always be mine
I know deep inside
All that’s done’s forgiven

Within Temptation: Forgiven

Within TemptationForgiven

Quadrados Ondulados

Não quero ser virtualmente legal. Não quero o plástico, ondas quadradas.

Os amigos são fotos e textos em Tahoma 10 num fundo azul. Não, eles têm movimento também, nos vídeos que posso ver no youtube. Se quiser ouvir uma música legal, tenho o LastFM, as rádios online... Para que ouvir alguma música ao vivo?

Por aqui eu posso pensar em falar tudo o que eu desejo... Afinal, meu diálogo aparentemente é comigo mesmo, com minha tela, com minha base retangular plástica com cubos - ridículos losangos sujos - que se transformam toque-a-toque em minha voz. Para que a mão quando tenho mais de 1.000.000.000 tipos de fontes no Google para escrever? O movimento leve da caneta virou um tec tec tec que gera um etc etc etc sem sentido, sentimento. É maquinário-leve, é tecnologia, moderno. Agora o movimento é uma dança de dedos buscando os ladrilhos certos, contorcionistas.

Aqui não temos corpos, nem faces, nem vozes, nem toques... Não temos nós... Fomos digitalizados. Não posso mais dizer que alguém é lindo, se não o vejo. Posso dizer: Você tem fotos lindas, você tem vídeos lindos, você escreve textos lindos no seu blog... E o que são estes?

Fotografias são seqüências organizadas de microgotículas de tinta em um papel bem-feito (quando impressas). Não sou eu. Vídeo é uma série de dados digitais seqüenciados em 00101011011000101010. Não sou isso. A visão virtual das coisas se resume à mistura vermelho verde azul branco, jogados como realidade sobre nossos olhos. É o que nos tornamos.

Aceitamos.

Segundo o orkut eu era dividido em cinco [geral / social / contato / profissional / pessoal] e precisava de dicas diárias de como viver. Fazia parte de três grupos de pensamento. Era sagaz, observador e analítico por natureza, herdaria uma grande fortuna, tinha 38 amigos e 6 fãs, era 100% confiável, 100% legal e 90% sexy. Tinha 11 fotos, vitrine de minha vida para o mundo. "É uma família linda" - pensavam.
Pelo orkut o Fernando teria uma gata e tiraria fotos com ela; Não tinha paixões, esportes, atividades, livros preferidos, músicas, programas de tv, filmes ou 'alimentos'. Não fumava, não bebia, não tinha estilo, não tinha animais de estimação, filhos, etnia, religião, visão política, humor, orientação sexual.
Não tinha escolaridade, profissão, interesses profissionais.
Nada chamaria atenção em mim, segundo o orkut: meus olhos não têm cor, meus cabelos não têm cor, não tenho tipo físico nem arte no corpo. Nem aparência, nem o que mais goste em mim.
Nada me atrai. Não há o que não suporte. Não há primeiro encontro ideal; Não aprendi nada com relacionamentos anteriores. Não há com o que não consiga viver. No meu quarto nada se encontra.
Não tenho um par perfeito.

Não Aceito.

Já que não estou no orkut, não sou.
Não há mais perfil meu lá.

Não Existo.

[aí aqui embaixo você escreve: 'Aprendendo com o Vazio']

12 de nov de 2007

16/07

Na minha agenda:

"A maior dor do vento é não ser colorido"
Mario Quintana




.

11 de nov de 2007

Lenços.

Estou num estado que, se for abraçado, choro.



Não me abracem...



(Ou, lenços a postos...)

4 de nov de 2007

Até as quatro.

A gata suspira no sofá,
Uma mosca desliza no ar...
Os dedos correm pelo teclado.
Yann Tiersen flui por toda a casa.
A luz, agressiva,
invade cada poro.
Os olhos ardem.

***

O inverno virou primavera
A primavera é transição
Mas a transição não houve
e o inverno virou verão.

***

Os siriris voam em sóis
A poluição preenche as narinas.
Aromas diversos se misturam,
(um caminhão não me deixa sentí-los).

***

O barulho não acabou
(nem acaba).
A noite que não começou,
Promete.

***

Enquanto isso, a gata boceja no sofá, ao ouvir a introdução de La dispute.