19 de ago de 2007

Coletivo Mário de Andrade

Por favor, linquem, visitem, poetizem e critiquem!

http://coletivomariodeandrade.blogspot.com

Coletivo Mário de Andrade

12 de ago de 2007

Ali. Sépia.

Quando minha mão
corre em teus cabelos
há um desejo imenso
de ficar ali.

Paisagem,
sépia.
Vermelho,
prata.

Porque será que esses
minutos-segundos
passaram tão rápido
e eu fiquei ali?

Paisagem,
preto e branco,
neve. Nuvem.

Porque ainda seus olhos brilham com aquela mesma força?

Paisagem,
leve. Morna.
Beijo de vento.

Aquele dia,
à meia luz,
a meio-olhar,
em meio ao nada
em movimento,
eu senti que a porta paulatinamente se fecharia para mim.

Se fechou, se foi.
E eu continuei ali.

Mas ainda o vermelho e o prata são os que melhor combinam contigo nestas fotografias.

Sépia.

11 de ago de 2007

Inocência.

Mamãe,

Essa é a casinha
do papai...

Ou é aquela lá?

आ ट्रांस्लितेराकाओ

A transliteração
do eu-poético
faz com que
o texto se
torne
isso.

आ ट्रांस्लितेराकाओ
दो एउ पोएतिको
फज़ कॉम कुए
ओ तेक्ष्तो से
तोरने
इस्सो.

Dia dos Pais

Vamos a um churrasco,
meu filho?
Será em minha casa.
Mesa posta, casa em festa...

Venha, meu filho.
Vamos comemorar
o dia dos pais com o pai,
(de sua madrasta),
filho.

Ele está velho,
É carente,
É doente.
Precisa de companhia,
filho.

- Mas, e o Vovô, meu Pai?

Ah, o seu avô
tem muitos filhos.
Algum há de lembrar-se
dele.

Ele é só
um velho
carente,
doente,
meu filho.

Meu pai pode se virar
sozinho.

Liberté

Sur mes cahiers d'écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J'écris ton nom


Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom


Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom


Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l'écho de mon enfance
J'écris ton nom


Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J'écris ton nom


Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom


Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom


Sur chaque bouffée d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom


Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sur la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom


Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J'écris ton nom


Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J'écris ton nom


Sur la lampe qui s'allume
Sur la lampe qui s'éteint
Sur mes maisons réunis
J'écris ton nom


Sur le fruit coupé en deux
Dur miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J'écris ton nom


Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ces oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J'écris ton nom


Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J'écris ton nom


Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J'écris ton nom


Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom


Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom


Sur l'absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom


Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenir
J'écris ton nom


Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer


Liberté


***

O poema que fez o semestre valer a pena: Liberté: 1942. Paul Eluard largué ce poème par les avions de la RAF en milliers de tracts sur la France occupée.

Clique aqui e ouça Paul Eluard lendo o poema, em gravação feita entre os anos de 1942 e 1952, data de morte do poeta.

Paul Eluard fez tudo valer a pena.

5 de ago de 2007

Abraço

Perfume
Em mim.

Floral,
Resistente.

Não era
meu.

Estava
Em mim.

Não resisti.

Art 5º - II -

'ninguém' será obrigado
a fazer
ou deixar de fazer alguma coisa

(senão?)


em virtude da lei...

da Constituição da República Federativa do Brasil

Poema que ia ser Haicai

Folha que cai
no rio
ainda que a leve
o rio
muda a visão
do rio.

E a cada dia me é arrancado mais um pedaço de mim

Não consigo olhar no espelho. Meus cabelos, esses cabelos. Cabelos!

"-- É, tem cabelo pra umas três cabeças".

É tido como mais um número nas estatísticas. Apenas mais um número nas estatísticas. Ele não foi e não será, nunca será apenas mais uma notícia de jornal.

Eu estava lá no dia anterior. Era beleza, arte, alma... Cristiano, onde estará sua alma? Você fará falta, meu amigo. Esses cabelos, esse corte. Seus dedos, suas tesouras... Fará falta. Sua mente, suas falas, sua presença. Um ser humano fantástico. Fará falta, grande amigo.

4 de ago de 2007

Embuição: Graus.

a Glauber Machado




(Ao som de "Pulp Fiction: Tempos de Violência")