12 de mai de 2007

Je suis allé...

Adoro esse silêncio.

Gosto de perscrutar o ambiente com meus ouvidos, e ouvir apenas o silêncio como resposta. É um silêncio acolhedor. Nesse silêncio, a essas horas, leio Paroles... Têm sido belas as descobertas em Literatura Francesa. Têm sido dolorosas as aulas de Literatura Francesa.

Je suis allé au marché aux oiseaux
Et j'ai acheté des oiseaux
Pour toi
mon amour
Je suis allé au marché aux fleurs
Et j'ai achéte des fleurs
Pour toi
mon amour
Je suis allé au marché à la ferraille
Et j'ai achéte des chaînes
De loures chaînes
Pour toi
mon amour
Et puis je suis allé au marché aox esclares
Et je t'ai cherchée
Mais je ne t'ai pas trouvée
mon amour

Leio Paroles. Leio Cecília. Leio Bachelard. Oswald. Bopp.

Já é manhã.

Barulho.

Tento abstrair as centelhas de sons do ambiente.

O som das teclas.
As músicas de Priscilla.
O som do vento que sopra a janela - Como canta agudamente essa janela!
De uma nave e de suas pás, pás cujos giros recortam a atmosfera azul-cobreada ressoando a melodia metálica-grave que se propaga em meus pavilhões, estremece meus tímpanos. Minha alma.
O vento sopra minha imensa janela.

Procuro o silêncio.

Algum eco se repete em minha mente, no vácuo entre meus corpúsculos celeste-cerebrais. E eu tenho precisado tanto de algum silêncio... Preciso da Greve, de férias...

Preciso do silêncio.


Como os passivos afogados
esperando o tempo da areia,
pelo mar de inúmeros lados
bóio tão venturosa e alheia
que, para mim, a noite e o dia
têm o mesmo sol sem ocaso,
e o que eu queria e não queria
aceitaram seu justo prazo.

E nem me encontra quem me espera
nem o que esperei foi havido,
tanto me ausento desta esfera.

Ó liberdade sem tormento!
(Ó fitas soltas, ó cortinas
levadas por um amplo vento
além de campos e colinas!...)
Vencendo sucessivos planos,
abrindo mundos encobertos,
chegando aos reinos sobre-humanos
onde há jardins para os desertos!

A alma do sonho fez-se ouvido
tão vertiginoso e profundo
que capta o recado perdido
dos ocultos donos do mundo.

*

Teu bom pensamento longínquo me emociona.
Tu, que apenas me leste,
acreditaste em mim, e me entendeste profundamente.

Isso me consola dos que me viram,
a quem mostrei toda a minha alma,
e continuaram ignorantes de tudo o que sou,
como se nunca me tivessem encontrado.


A Literatura Francesa (a aula, fique claro) tem me desestimulado mais a cada 'aula'.
Os poemas são lindos, os teóricos ajudam bastante, mas professora não...
Mas ainda há as outras Literaturas, Latim, Língua Francesa...
E se Deus quiser, haverá uma greve. Eu também preciso da Greve.
Quero fugir para a ECA. Me convenço de que não, estou no lugar certo.
(Ainda há as outras Literaturas, Latim, Língua Francesa...)