30 de set de 2007

O Acaso.

Quem nunca viu em fotografias, sites, filmes, desenhos... aqueles gigantescos relógios das praças de cidades alemãs, que têm bonecos que andam em trilhos com martelos nas mãos para bater os sinos? Alguns têm até animais, como vaquinhas que dão coices, carneiros que dão chifrada, pássaros que gritam e outros personagens... Dentro desses relógios, tudo que acontece – e que jamais vai acontecer – é previsto. Todas ações de seus personagens são pré-programadas e foram calculadas milimetricamente no instante em que o relógio foi construído. Se quisermos saber hoje o que a vaquinha vai estar fazendo daqui a exatamente trezentos anos, duas horas e cinco minutos, basta calcular. O resultado será preciso: ...

(veja postagem completa no http://coletivomariodeandrade.blogspot.com)


Au Hasard


Au hasard une épopée, mais bien finie maintenant,
Tous les actes sont prisonniers
D'esclaves à barbe d'ancêtre
Et les paroles coutumières
Ne valent que dans leur mémoire.
(...)

22 de set de 2007

Me sinto pedaço d'água, hoje.

Imagine um gelo: Pedaço d'água. Existem máquinas que os fazem, com líquidos em serpentinas e outras parafernalhas... Nessas serpentinas, rolam gases, refrigerantes... Aqueles que, para a produção do gelo, acabam com o gelo natural.

Me sinto uma Geleira em corrosão.

Cada pífio pedacinho cai como parte do interlúdio destrutivo. Se lançam ao Oceano, se integram a ele. Em segundos são negro, evasivo Oceano. Alí estão, em meio ao resto. O Oceano não muda de aspecto naquele local, apenas aumenta picometricamente de volume, absorvendo-as; o volume daquelas partículas é insignificante como elas; Individualmente, no Oceano, mudam nada. O que muda é a Geleira, em corrosão. A cada queda perde sua forma, a cada pedacinho perde mais um pouco de sua lividez... A Geleira vai se desfazendo, desfazendo...


Me sinto pedaço d'água, hoje.

Uns Dias...

O expresso do oriente
Rasga a noite
Passa rente
E leva tanta gente
Que eu até
Perdi a conta
Eu nem te contei
Uma novidade quente
Eu nem te contei
Eu estive fora uns dias
Numa onda diferente
E provei tantas frutas
Que te deixariam tonta
Eu nem te falei
Da vertigem
Que se sente
Eu nem te falei
Que te procurei
Pra me confessar
Eu chorava de amor
E não porque sofria
Mas você chegou
Já era dia
E não estava sozinha
Eu estive fora uns dias
Eu te odiei uns dias
Eu quis te matar

8 de set de 2007

Uma Clareira.

É uma clareira. Porque não caminhamos para lá? Talvez tenha sido feita por algum nativo, por alguém que conhece bem o local e possa nos rumar para a saída, para nosso destino! Você sente estes sons? Se não formos até lá, em breve eles virão até nós; O que será melhor? Já te disse, eu vejo uma clareira, porque não vamos até lá? Talvez encontraremos fartura, quem sabe algum hepicóptero nos leve até o alto, bem distante de onde nos encontramos. Ouça o barulho das águas límpidas que lá nos banharão! Você sente esse frescor? Rumemos para lá!

Há uma clareira? Ignoro.

Não compreendo... Seria mais fácil simplesmente estacar, estagnar e morrer;
Porque essa busca se quando avistamos local aprazível nos afastamos?

Continue.

Mas, porque esperar apenas pelo fim, porque tanto pathos, se o dia próximo pode não vir? A cada dia penso talvez este será o último de nosso sofrimento. Quem sabe acontecerá uma reviravolta, uma revolução, uma peripécia... A busca está próxima do fim, estamos à beira dele, cada mínima célula de minha pele, de meu corpo, de minha língua me fazem experimentar a estranha sinestesia alegre de possível mudança. Essa espera traz a frustração mórbida do aborto de um primogênito, do roubo de preciosidades, da luta pelo intocável... É aquela bola de sorvete que rola suavemente pela areia fina em um sábado de janeiro, enquanto o loirinho se (des)contenta com o resto que sobrou na casquinha. A cada manhã me sinto como esse menino. Vejo meu sorvete caído na areia, me lembro das poucas moedas que guardei para poder comprá-lo... Poderia ter, então, comprado várias casquinhas... Mas eu, criança, investi toda a minha pequena fortuna naquela única bola ; E agora ela alí, se desfazendo em violação aos meus desejos, rolando docemente pela areia.

Decepção. Quando surge um novo micro-ímpeto matutino, quando vejo uma clareira à nossa frente, logo à diante, tão atraente, acessível, acalentadora... "Continuamos"?
Não compreendo, não compreendo. Na verdade nunca pude compreender certas coisas; muitas delas; Agora somos nós, aqui, nisso. Como pudemos chegar aqui? Desfaleço a cada segundo, a cada passo, e haverá mão que me arvore? Tua mão?
Estamos em um pedaço de mundo que não é papel, que não é cores, que não é, simplesmente... Não é aquela alvura-sépia, não é beleza-estelar... É o que me resta. momentos mal entendidos solidões ajoelhamentos invasões insobriedades e elogios à loucura.

É uma clareira, clareira, regaço, uma explosão de luzes estelares que nos acomodarão entre terra e aqueles céus, tão seus... Porque não vamos até lá? Caio-me em meio às tarlatanas de suas roupas, peço, rogo, porque não vamos até lá? Haverá festa, comida, música, claridade, luz, vida! Porque não vamos até lá?

Olhe a terra. Olhe para nós. Olhe ao redor de nós. Olhe em volta. Escute, escute bem. O que você sente?

Silêncio.
Pois bem, silêncio. É o que ouço, sinto e desejo.
Cale-se e continuemos.

Você vê alguma clareira? Tem premonições de festas, de claridade, vida? Deseja águas límpidas? Ouve batida? Há alguma batida? Há algo disso envolta?
Parece que não há, não é mesmo?

O que há?
Veja, sinta, toque.
O que há?

Nada aprazível.
Contente-se com isto, é o máximo que poderei fazer por você.
A noite há de se aproximar breve, então toda essa matutinidade se esvairá.



A noite é sempre.

7 de set de 2007

Primeira Pessoa.

A indelicatessen toma forma...

Formas.
Dezenas,
milhares.


O mundo é cinza,
feio,
tem erupções na face e olha de lado,
como se essa fosse a pose dos grandes homens
.

E ainda se acha deliciousment poderoso em seu micro-pod[r]er.

É medíocre.

O Mundo é banana.
Banana nanica verde, daquelas que amarra a boca só de pensar em moder.

O Mundo é xepa,
é fim de feira, onde todos disputam o melhor pedaço... (do resto)

O mundo tem uma maçã que estraga tudo:
É a maçã-poder que corrói a todas as outras do cesto.

O mundo tem uma psico-maçã que estraga tudo:
A medíocre maçã-tudo-posso que ignora a todas as outras do cesto.

O mundo tem uma maçã-podre-que-estraga-estraga tudo.

É a maçã... A maçã colhida individualmente na xepa, que torce a boca, amarra a boca, poderosa. A maçã auto-autruísta.

É esse podre, "eu".