8 de set de 2007

Uma Clareira.

É uma clareira. Porque não caminhamos para lá? Talvez tenha sido feita por algum nativo, por alguém que conhece bem o local e possa nos rumar para a saída, para nosso destino! Você sente estes sons? Se não formos até lá, em breve eles virão até nós; O que será melhor? Já te disse, eu vejo uma clareira, porque não vamos até lá? Talvez encontraremos fartura, quem sabe algum hepicóptero nos leve até o alto, bem distante de onde nos encontramos. Ouça o barulho das águas límpidas que lá nos banharão! Você sente esse frescor? Rumemos para lá!

Há uma clareira? Ignoro.

Não compreendo... Seria mais fácil simplesmente estacar, estagnar e morrer;
Porque essa busca se quando avistamos local aprazível nos afastamos?

Continue.

Mas, porque esperar apenas pelo fim, porque tanto pathos, se o dia próximo pode não vir? A cada dia penso talvez este será o último de nosso sofrimento. Quem sabe acontecerá uma reviravolta, uma revolução, uma peripécia... A busca está próxima do fim, estamos à beira dele, cada mínima célula de minha pele, de meu corpo, de minha língua me fazem experimentar a estranha sinestesia alegre de possível mudança. Essa espera traz a frustração mórbida do aborto de um primogênito, do roubo de preciosidades, da luta pelo intocável... É aquela bola de sorvete que rola suavemente pela areia fina em um sábado de janeiro, enquanto o loirinho se (des)contenta com o resto que sobrou na casquinha. A cada manhã me sinto como esse menino. Vejo meu sorvete caído na areia, me lembro das poucas moedas que guardei para poder comprá-lo... Poderia ter, então, comprado várias casquinhas... Mas eu, criança, investi toda a minha pequena fortuna naquela única bola ; E agora ela alí, se desfazendo em violação aos meus desejos, rolando docemente pela areia.

Decepção. Quando surge um novo micro-ímpeto matutino, quando vejo uma clareira à nossa frente, logo à diante, tão atraente, acessível, acalentadora... "Continuamos"?
Não compreendo, não compreendo. Na verdade nunca pude compreender certas coisas; muitas delas; Agora somos nós, aqui, nisso. Como pudemos chegar aqui? Desfaleço a cada segundo, a cada passo, e haverá mão que me arvore? Tua mão?
Estamos em um pedaço de mundo que não é papel, que não é cores, que não é, simplesmente... Não é aquela alvura-sépia, não é beleza-estelar... É o que me resta. momentos mal entendidos solidões ajoelhamentos invasões insobriedades e elogios à loucura.

É uma clareira, clareira, regaço, uma explosão de luzes estelares que nos acomodarão entre terra e aqueles céus, tão seus... Porque não vamos até lá? Caio-me em meio às tarlatanas de suas roupas, peço, rogo, porque não vamos até lá? Haverá festa, comida, música, claridade, luz, vida! Porque não vamos até lá?

Olhe a terra. Olhe para nós. Olhe ao redor de nós. Olhe em volta. Escute, escute bem. O que você sente?

Silêncio.
Pois bem, silêncio. É o que ouço, sinto e desejo.
Cale-se e continuemos.

Você vê alguma clareira? Tem premonições de festas, de claridade, vida? Deseja águas límpidas? Ouve batida? Há alguma batida? Há algo disso envolta?
Parece que não há, não é mesmo?

O que há?
Veja, sinta, toque.
O que há?

Nada aprazível.
Contente-se com isto, é o máximo que poderei fazer por você.
A noite há de se aproximar breve, então toda essa matutinidade se esvairá.



A noite é sempre.

3 comentários:

Monica Messias disse...

Clareiras: pontos de esperança que despontam há todo momento como miragens em nossos horizontoes.
Otimismo: palavra sem graça, porém, a única que ainda nos faz querer enxergar e querer alcançar as tais clareiras!
Enfim... "Nonada"
"Viver é muito perigoso"
Já leu Grande Sertão: veredas?, faz isso...

Mme. K. disse...

Sabe o que penso...e eu gostei!

Sinayoma disse...

Eu queria pedir desculpas publicamente pela minha piada infâme de ontem e tudo o mais! E queria dizer que eu SINTO MUITA SAUDADE das conversinhas com vc. Não dá tempo de mais anda nem de ver as pessoas com tranquilidade e dedicação. Eu sinto falta das nossas conversas do primeiro ano, assim sem propósitos nem determinação temporal.

O Bozo tem acabado comigo, ora melancólica, ora piadista, como ontem!rs

beijinhos