28 de fev de 2008

Quarta-feira.

Eu vi o sol nascer do azul
no céu da USP,
sozinho.

13 de fev de 2008

Caricatura.

A solidão da liberdade reproduz
as palavras que escrevi em sonho:

A Vida ali. Seus olhos. Um cavaleiro.
Sua missão: salvá-la da prisão Liberdade.

Ele é bonito, vem em farda (terno e gravata),
cabelo e barba, a fala doce, os olhos moles,
a pele clara, os olhos negros.

Corpo fechado, lábios abertos,
Para devorar o sonho que vibrou colorido
sobre as árvores da cidade perdida.

7 de fev de 2008

E em labirintos se movem os fantasmas que persigo.

Se não houvessem montanhas!

Se não houvesse montanhas!
Se não houvesse paredes!
Se o sonho tecesse malhas
e os braços colhessem redes!

Se a noite e o dia passassem
como nuvens, sem cadeias,
e os instantes da memória
fossem vento nas areias!

Se não houvesse saudade,
solidão nem despedida...
Se a vida inteira não fosse, além
de breve, perdida!
Eu não tinha cavalo de asas,
que morreu sem ter pascigo
E em labirintos se movem
Os fantasmas que persigo.

Cecilia Meireles.

2 de fev de 2008

La Vénus d’Ille, Prosper Mérimée

La statue.



J’admirais le naturel parfait de toutes ses réponses ; et son air de bonté, qui pourtant n’était pas exempt d’une légère teinte de malice, me rappela, malgré moi, la Vénus de mon hôte. Dans cette comparaison que je fis en moi-même, je me demandais si la supériorité de beauté qu’il fallait bien accorder à la statue ne tenait pas, en grande partie, à son expression de tigresse ; car l’énergie, même dans les mauvaises passions, excite toujours en nous un étonnement et une espèce d’admiration involontaire.



Parfait.

1 de fev de 2008

Porque a frase é de autoria do Silvio Brito.

Pare o mundo
Que eu quero descer
Que eu não agüento mais
Escovar os dentes
Com a boca cheia de fumaça...

Você acha graça
Porque se esquece
Que nasceu numa época
Cheia de conflitos
Entre raças...

Pare o mundo
Que eu quero descer
Que eu não agüento mais
Tirar fotografia
Prá arrumar meus documentos...

É carteira disso, daquilo
Que até já amarelou
Minha certidão de nascimento
E ainda por cima...

Tem que pagar prá nascer
Tem que pagar prá viver
Tem que pagar prá morrer...

Pare o mundo
Que eu quero descer
Que eu não agüento mais
Esperar a hora de usar
Meu título de eleitor
Emborolado...

E ver no rosto das pessoas
A mesma expressão
De ascensorista de elevador
Mal remunerado...

Pare o mundo
Que eu quero descer
Que eu não agüento mais
Ouvir falar
Na crise da gasolina
Que já vai aumentar outra vez...

E pensar que a poluição
Contaminou até as lágrimas
E eu não consigo mais chorar
E ainda por cima...

Tem que pagar prá nascer
Tem que pagar prá viver
Tem que pagar prá morrer...


Tá tudo errado
Tá tudo errado
Desorientado segue o mundo
E eu não posso mais
Ficar parado...

Tá tudo errado
Tá tudo errado
Eu só quero ter você comigo
E mandar o resto pro diabo...

Tá tudo errado...

Pare o mundo que eu quero descer - Silvio Brito.
(O clipe, que eu desisti de 'incorporar' aqui... ninguém assiste)