20 de jan de 2008

Canção do exílio

É verdade. Andei meio sumido.
Mudei de casa, mulher, amigos.
De repente, a barra ficou pesada
e não foi fácil encontrar abrigo.

Recolhi meu time de campo,
tresli versos de Drummond:
- Fique torto no seu canto.
Confesso que até foi bom.

Levei a vida de um clandestino,
no começo, doeu pra burro.
Depois compreendi: meu destino
era caminhar pelo lado escuro.

Fui posto em xeque, à prova
concha ambígua do ostracismo.
Mas, construí uma vida nova
sem rancor, surto, onanismo.

Hoje, novamente, me recifro,
nesta antiga canção do exílio.
Sob o forte sol do isolamento,
viso os territórios do princípio.

Augusto Massi

4 comentários:

Maíra Scalco disse...

Gostei do poema...!

E sobre o post abaixo, aproveitando...
Hm... o bom e velho Gin Rummy! huahauahu

Anderson Lucarezi disse...

Canção do Exílio do massi?
Poxa, eu queria muito comprar "Negativos", o livro de poemas dele, de 91, mas saiu de catálogo.
Já garimpei em sebos, mas sem mto sucesso..

Fernando Penteado disse...

Pois é... É difícil lidar com professor-poeta...

Eu queria pensar nele apenas como poeta.


Tente com ele, vai q ele tem uns exemplares guardados... ele pode até autografar... rsrs

Myriam Kazue disse...

Gosto muito desse poema, já o havia lido, garimpando na internet.

O primeiro verso é o "resumo da ópera", pra quem conhece o Massi: "É verdade. Andei meio sumido".

O "Negativos", dá pra comprar pelo estantevirtual: http://www.estantevirtual.com.br/

Tiete que tb sou, adorei seu post, Fe!

beijo!