Mãos nos bolsos são uma posição de alta-auto-defesa. Auto-comiseração. Anda por aí com as mãos no bolso, pra ver. Os seus braços se juntam ao corpo, os ombros se encolhem... daqui a pouquinho vai estar parecendo um lagostim, curvadinho... Os ombros se acostumam a essa posição, e (in)conscientemente a cabeça vai baixando, baixando... Baixa até os olhos tocarem o horizonte inferior. O queixo a menos trinta graus. Nesse ângulo a boca se fecha. A respiração se dificulta. A garganta trava, as mãos se seguram.
Seguram no que não há, se apertam buscando o refúgio do toque, fogem do vento. A posição é ideal para olhares oblíquos auto-inferiorizadores, tristes, depri(midos/mentes). Se amarram, dedo a dedo, num invólucro de pele desabitada, e o vazio da palma curva enlaçada é o vazio dos dedos endurecidos que é o vazio das próprias mágoamarras, desenlaçar de mãos. Se comprimem a si mesmas, se prendem ao seu próprio vazio, se atam no desenlace, se fecham na liberdade, se escondem por estarem nuas.