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29 de jul. de 2008

sem título

texto
texto
texto
frase
frase
frase
palavra
palavra
palavra
o pensamento é contínuo.
o pensamento é contínuo.
o pensamento é contínuo.
- o resto não.
- o resto não.
- o resto não.

27 de jul. de 2008

sem título

Não preciso cirandar na noite
com objetos imaginários.

Posso navegar por toda a vida
criando meu próprio necessário.

A pequena loucura de quem não diz
me basta.

20 de jul. de 2008

Tempo

agora é sempre,
depois é nunca,

espontaneamente,
futuro passado.


13 de fev. de 2008

Caricatura.

A solidão da liberdade reproduz
as palavras que escrevi em sonho:

A Vida ali. Seus olhos. Um cavaleiro.
Sua missão: salvá-la da prisão Liberdade.

Ele é bonito, vem em farda (terno e gravata),
cabelo e barba, a fala doce, os olhos moles,
a pele clara, os olhos negros.

Corpo fechado, lábios abertos,
Para devorar o sonho que vibrou colorido
sobre as árvores da cidade perdida.

25 de jan. de 2008

Se chovesse todo dia!

A árvore amanheceu em festa.

Dezenas de passarinhos, dos mais variados,
Comiam as frutas que brotam das chuvas
que cairam ontem.

Cantavam enquanto
a água farfalhava as folhas,
movimento simples.

Ocupavam seus bicos com as frutas,
vermelhas, fora de época.

Ternuras...

Lembraram meus irmãos
E um pacote de chiclete,
Correndo pela sala de minha avó.

19 de jan. de 2008

Supernovas, Esmeraldas.

Meu próprio colapso se misturou a teus movimentos,
minhas palavras se embaralharam em tua boca.

Teus passos se transformaram em meu ritmo,
teu corpo meu diapasão, teus olhos, meu mar,
esmeraldas.

Teus ouvidos, minha boca.
Tua expiração, minha inspiração.
Tua mente, meu pensamento.

Teu próprio colapso se misturou a meus movimentos,
tuas palavras se embaralharam em minha boca.

Passeei largamente por
passarelas de entardeceres,
toques singelos, olhares.

Olhei para um céu de supernovas
e me embebi de teu reflexo num mar,
esmeraldas.

Olhei para um céu de esmeraldas
e me embebi de teu reflexo no mar:
Supernovas.

16 de dez. de 2007

Esfacelamento

Castelo de areia:
Minha casa.

Céu negro,
Temporal.

Choveu, ruiu:
Adeus.


but that does'nt mean that i am dead...

13 de dez. de 2007

Esjó...

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou...
não existe porta;
o mar secou;

Você é duro?

Sozinho no escuro,
marcha para onde?

5 de dez. de 2007

Um sopro do vento,

E seu manto passa
suavemente
por minha face
ruborizada
por esse toque
que me aquece
com todo o encanto
de um sopro morno
de um vento doce

num fim de tarde
em qualquer lugar...

19 de nov. de 2007

Panorâmica


Eu
acreditava
Em
tantas coisas.











Ah,
Vida.





Hoje olho.

Atrás de mim, um poste. Placa azul. Fios para todos os lados. Acima, fios cortam o Azul. Tento dialogar, mas esses fios impedem meus pensamentos de ultrapassar os 9 metros. Desisto. Não serei ouvido. Baixo os olhos. À minha frente, alguns metros após: outro poste. Inclinado. Mais fios, mais ramificações... Evolução. Abaixo, chão quebrado. Calçada Copacabana. No horizonte um ônibus: azul. E eu pensando em como me comunicar, falar, daqui de dentro.

(...)

18 de nov. de 2007

Como Grãos.

(Destino)
Panela - Pow!
Caramelo
Uniões.

(Acaso)
Pacote - Mãos
Dentes
Os desprendem.




.
Sobre o título, poderia ser:

Eu me lembro / Pipocas / O dia em que a terra parou (no mundo das pipocas doces) / Ah...! / Destino / Acaso / Duas faces / A Parábola das Pipocas / Uma mente brilhante / Cirurgia / Continho Interiorano / Doce (des)união / ...

15 de nov. de 2007

Defectivos

A Viaro e Bandeira
Amanheço.
Escorro ao banheiro.
Águo, Chuveiro-me, Entoalho.
Roupo, aromatizo, desjanelo-me:
Ensoleio.

Enevôo, quando crepusculo
Pasço, compito no pasto
(gramática antiga)

Abolo, aturdindo a Norma, as defecções.
Indefeituoso, hauro as excessões.
Carpo a puída poesia onde tine
a excogitada ruína vernácula.

Demolo o padrão,
exauro os tipos.
Delinqüo as regras
do que não adequa,
E com urgor,
explodo os sapos,
que batateam:

- Não fremo, gemo!
- Não tine, soa!
- Não defecto! Indefecto!

Esse poema pode se mutar trought-the-time, com alteração de verbos e conjugações. Idéia surgida em aula de Morfologia

4 de nov. de 2007

Até as quatro.

A gata suspira no sofá,
Uma mosca desliza no ar...
Os dedos correm pelo teclado.
Yann Tiersen flui por toda a casa.
A luz, agressiva,
invade cada poro.
Os olhos ardem.

***

O inverno virou primavera
A primavera é transição
Mas a transição não houve
e o inverno virou verão.

***

Os siriris voam em sóis
A poluição preenche as narinas.
Aromas diversos se misturam,
(um caminhão não me deixa sentí-los).

***

O barulho não acabou
(nem acaba).
A noite que não começou,
Promete.

***

Enquanto isso, a gata boceja no sofá, ao ouvir a introdução de La dispute.

28 de out. de 2007

Olhos a menos trinta.

Mãos nos bolsos são uma posição de alta-auto-defesa. Auto-comiseração. Anda por aí com as mãos no bolso, pra ver. Os seus braços se juntam ao corpo, os ombros se encolhem... daqui a pouquinho vai estar parecendo um lagostim, curvadinho... Os ombros se acostumam a essa posição, e (in)conscientemente a cabeça vai baixando, baixando... Baixa até os olhos tocarem o horizonte inferior. O queixo a menos trinta graus. Nesse ângulo a boca se fecha. A respiração se dificulta. A garganta trava, as mãos se seguram.

Seguram no que não há, se apertam buscando o refúgio do toque, fogem do vento. A posição é ideal para olhares oblíquos auto-inferiorizadores, tristes, depri(midos/mentes). Se amarram, dedo a dedo, num invólucro de pele desabitada, e o vazio da palma curva enlaçada é o vazio dos dedos endurecidos que é o vazio das próprias mágoamarras, desenlaçar de mãos. Se comprimem a si mesmas, se prendem ao seu próprio vazio, se atam no desenlace, se fecham na liberdade, se escondem por estarem nuas.

12 de ago. de 2007

Ali. Sépia.

Quando minha mão
corre em teus cabelos
há um desejo imenso
de ficar ali.

Paisagem,
sépia.
Vermelho,
prata.

Porque será que esses
minutos-segundos
passaram tão rápido
e eu fiquei ali?

Paisagem,
preto e branco,
neve. Nuvem.

Porque ainda seus olhos brilham com aquela mesma força?

Paisagem,
leve. Morna.
Beijo de vento.

Aquele dia,
à meia luz,
a meio-olhar,
em meio ao nada
em movimento,
eu senti que a porta paulatinamente se fecharia para mim.

Se fechou, se foi.
E eu continuei ali.

Mas ainda o vermelho e o prata são os que melhor combinam contigo nestas fotografias.

Sépia.

11 de ago. de 2007

Inocência.

Mamãe,

Essa é a casinha
do papai...

Ou é aquela lá?

आ ट्रांस्लितेराकाओ

A transliteração
do eu-poético
faz com que
o texto se
torne
isso.

आ ट्रांस्लितेराकाओ
दो एउ पोएतिको
फज़ कॉम कुए
ओ तेक्ष्तो से
तोरने
इस्सो.

Dia dos Pais

Vamos a um churrasco,
meu filho?
Será em minha casa.
Mesa posta, casa em festa...

Venha, meu filho.
Vamos comemorar
o dia dos pais com o pai,
(de sua madrasta),
filho.

Ele está velho,
É carente,
É doente.
Precisa de companhia,
filho.

- Mas, e o Vovô, meu Pai?

Ah, o seu avô
tem muitos filhos.
Algum há de lembrar-se
dele.

Ele é só
um velho
carente,
doente,
meu filho.

Meu pai pode se virar
sozinho.

5 de ago. de 2007

Abraço

Perfume
Em mim.

Floral,
Resistente.

Não era
meu.

Estava
Em mim.

Não resisti.

Art 5º - II -

'ninguém' será obrigado
a fazer
ou deixar de fazer alguma coisa

(senão?)


em virtude da lei...

da Constituição da República Federativa do Brasil